1916
Nasce no Recife, no bairro da Jaqueira, em casa à beira do Rio Capibaribe, do seu avô materno, Virginio Marques Carneiro Leão. Filho de Albertina Carneiro Leão de Mello e Ulysses Pernambucano de Mello.
1923
Faz seus estudos secundários no Ginásio Pernambucano, onde seu pai era professor e foi também, por um período, diretor, tendo concluído esses estudos no Rio de Janeiro, no Colégio Anglo-Brasileiro, onde ficou hospedado na casa do avô paterno, de quem recebera o nome. Desde pequeno os dois avós influenciaram-no bastante. Nos estudos e nas bibliotecas de ambos estudou e iniciou seu gosto pela pesquisa. Vinha para o Recife passar as férias de final de ano com os pais.
1930
Escreve seu primeiro trabalho para o jornal "A Província", uma monografia sobre Fridtjof Nansen, explorador norueguês, que faleceu no dia 13 de maio de 1930.
1933
Regressa definitivamente ao Recife vindo fazer o vestibular para a Faculdade de Direito do Recife e então inicia, com os padres do Colégio do Sagrado Coração, na Várzea, seus estudos sobre o holandês antigo. A convite de Gilberto Freyre, seu primo, faz pesquisas históricas no Arquivo Público para o livro em formação Casa-grande & senzala.
1934
Participa do I Congresso Afro-Brasileiro em Pernambuco, organizado, entre outros, por seu pai, Ulysses Pernambucano, apresentando o trabalho "A situação do negro sob o domínio holandês", publicado em 1937. Era a primeira vez, que se estudava clara e oficialmente a influência da cultura africana no Brasil. Estiveram presentes nesse Congresso Melville Herskovits, Arthur Ramos, Luis da Câmara Cascudo e outros com quem José Antonio manteve contatos e aprendeu muito. Nesse Congresso conhece Ivone, com quem casaria.
1935 a 1937
Escreve artigos para o Diário de Pernambuco e outros jornais da cidade do Recife. Com o primo Gilberto Freyre se iniciou na pesquisa histórica e por sugestão deste, particularmente ao período da dominação holandesa em Pernambuco. No dia 27 de julho de 1936, passa a trabalhar no IPASE, que era o Instituto de Pensões e Aposentadorias dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro, onde morava nessa época na Avenida Atlântica. Forma-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife em 1937.
1938 a 1939
Passa um tempo nos Estados Unidos, fazendo pesquisas e freqüenta a Universidade de Columbia.
1940
Em 22 de fevereiro, casa-se com Ivone Sara da Cunha Inácio no Recife, filha de Elisa da Cunha Inácio e Veríssimo José Inácio. A cerimônia de casamento foi celebrada por Dom Ambrosino Leite, Arcebispo de Olinda e Recife, na Igreja de Nossa Senhora das Graças, no bairro das Graças, onde sempre viveu com seus pais, primeiro na Rua das Graças nº 178 e em seguida em casa construída por seu pai à Rua Cardeal Arcoverde.
Cria, no Rio de Janeiro, juntamente com refugiados holandeses e José Honório Rodrigues, o Instituto Brasil-Holanda. Continua suas pesquisas em Pernambuco e nos arquivos de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro, buscando e revisando documentos, na maioria inéditos, de interesse para a história de Pernambuco.
1943
Em 02 de julho, torna-se sócio do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, onde posteriormente será seu Presidente por vários anos. No dia 05 de dezembro de 1943, falece no Rio de Janeiro, seu pai Ulysses Pernambucano.
1944
Termina de escrever seu livro "Tempo dos Flamengos", mas só consegue publicá-lo em 1947, pela Editora José Olimpio. Para ele fez pesquisas nos arquivos, cartórios, conventos, documentos do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano e bibliotecas do Recife e no Rio de Janeiro, na Biblioteca Nacional e no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, entre outros. Com prefácio de Gilberto Freyre, dedicou-o à memória do pai que havia falecido em dezembro de 1943 e à Albertina, sua mãe. É um livro que trata da ocupação holandesa no Nordeste, estudando seus aspectos sociais, econômicos, políticos e religiosos.
1947
Publica-se, no Rio de Janeiro, (Editora José Olímpio), seu primeiro livro, Tempo dos Flamengos, que se tornou referência na bibliografia brasileira para o período colonial e dominação holandesa no Nordeste.
1949
Recebe o convite de Gilberto Freyre, autor do projeto de lei que criou o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, para nele trabalhar, e, em carta datada de 04 de agosto de 1949 a Gilberto, ele agradece e aceita o convite, sendo, portanto, seu primeiro diretor entre 1949-50. O Instituto foi instalado, a princípio, na Av. Rui Barbosa nº 1654, no Recife.
1950
Torna-se encarregado de pesquisas históricas no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
1951 a 1952
Viaja para Portugal, enviado pelo Reitor da Universidade do Recife, atual Universidade Federal de Pernambuco, professor Joaquim Amazonas, para fazer pesquisas nos arquivos da Torre do Tombo, Biblioteca Nacional de Lisboa, da Ajuda, de Évora e do Porto, e microfilma os documentos originais para publicações em homenagem ao Tricentenário da Restauração de 1654. Daí nasceram as biografias dos heróis pernambucanos e um estudo sobre a cartografia local, documentos de interesse para o Nordeste do Brasil.
1953
De volta ao Recife, passa a ensinar a cadeira de História das Américas, no Curso de graduação em História da Universidade do Recife, da qual foi professor catedrático. Posteriormente, ensinaria também História do Nordeste, Paleografia, Métodos Históricos e Técnicas de Pesquisa. Em 1964 começa a dirigir o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e ensina no Curso de Mestrado de História até se aposentar em 1977.
1954 a 1956
Publica, em homenagem às comemorações da Insurreição Pernambucana, uma série biográfica dos heróis pernambucanos para as comemorações do Tricentenário da Restauração Pernambucana. A biografia de João Fernandes Vieira só seria publicada dois anos depois, em 1956.
1957
Dando continuidade as suas pesquisas, viaja para a Holanda, Espanha, França e Inglaterra. Em 27 de setembro de 1957, fixa residência em Haia por ser a sede dos arquivos do país. Em 2 de outubro, passa a lecionar História do Brasil, particularmente o período holandês em Pernambuco, no Instituto Espanhol, Português e Ibero-Americano da Universidade de Utrecht, onde recebe o título de Privaat Docent entregue pelo Ministério do Reino para Educação, Artes e Ciências.
Dedica-se a pesquisa da documentação histórica relativa ao Nordeste brasileiro, e a Pernambuco em particular, no Arquivo Geral do Reino, Arquivo da Cassa Real, em Haia; Arquivo da Universidade de Leiden; Arquivo Municipal, Arquivo da Comunidade Reformada, em Amsterdam, onde pesquisa sobre a comunidade judaica de Pernambuco.
Durante as férias de Natal, período em que foram interrompidas as aulas da Universidade de Utrecht, vai a Sevilha, na Espanha, para trabalhar no Archivo General de Índias e na Biblioteca e Arquivo Municipal do Porto, em Portugal.
1958
Em 18 de março, recebe a condecoração de Oficial Militar de Cristo, concedida pelo Governo Português. Em junho, transfere-se para a Espanha dando continuidade as suas pesquisas na Biblioteca Nacional e Real Academia de História, em Madrid e Arquivo Geral de Simancas, localizado em uma aldeia a 15km de Valladolid.
Por ocasião do falecimento do seu irmão, Jarbas Pernambucano, assume a direção do Sanatório Recife, hospital destinado ao tratamento de doenças mentais no Recife, fundado por Ulysses Pernambucano.
1960 a 1962
Publica-se, no Recife (Universidade do Recife) a obra: Estudos Pernambucanos, resultado de suas pesquisas nos arquivos europeus, e em 1962, Diálogos das grandezas do Brasil, em sua primeira edição integral, segundo o apógrafo de Leiden, Holanda Participa do Congresso Internacional de História dos Descobrimentos, em Lisboa. Nessa ocasião e em 1964 volta a trabalhar no Arquivo de Simancas. De 1960 a 1964 ensina Paleografia na Universidade Federal de Pernambuco. Lança, no Recife (Imprensa Universitária) o livro Diálogos das grandezas do Brasil, em sua primeira edição integral, segundo o apógrafo de Leiden, Holanda.
1963
Em 30 de janeiro, recebe a Medalha Pernambucana do Mérito, concedida pelo Governo do Estado de Pernambuco. No dia 28 de março, falece no Recife a sua mãe, Albertina Carneiro Leão de Mello. Participa do preparo do Dicionário de História de Portugal, da Enciclopédia Focus e na História da Religião no Novo Mundo, atividade que realiza até 1971.
1964
É nomeado diretor do Instituto de Ciência do Homem, depois Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco, exercendo a função até 1969. Ministra em curso de pós-graduação, nessa mesma universidade, a disciplina que criou de História do Nordeste.
1965 a 1969
Em 1965 é escolhido, através de eleição, para Presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Cria a série branca da Revista do Instituto.
Em 21 de novembro de 1966 recebe a Medalha Naval de Serviços Distintos, pelo Ministério da Marinha do Brasil. Em 1967 torna-se sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e de 1969 a 1978 permanece como Membro do Conselho Estadual de Cultura.
1970
Apresenta-se contra a criação do Terminal Marítimo de Suape, mas a favor da preservação da área como patrimônio histórico, paisagístico e natural de Pernambuco.
1971
Em 27 de abril de 1971 assume uma cadeira nº XXXVII na Academia Pernambucana de Letras e, a princípio, sócio-correspondente da Academia Portuguesa de História.
1972 a 1974
Em 28 de janeiro de 1972, recebe a condecoração dada pela Rainha dos Países Baixos, como Oficial da Ordem de Orange Nassau. Recebe em 15 de outubro de 1974 a Medalha do Mérito Educacional do Estado de Pernambuco.
1977
Em 1977 requer sua aposentadoria e continua pesquisando e preparando novos trabalhos.
1979
Publica-se, em 25 de janeiro, no Recife (Governo do Estado de Pernambuco, Secretaria de Educação e Cultura) a segunda edição do livro Tempo dos Flamengos.
Entre 1979 e 1983 atua como membro efetivo do Conselho Deliberativo da Fundação de Cultura do Recife.
1980 a 1985
Em 1980 torna-se membro do Conselho Diretor da Fundação Joaquim Nabuco. Entre 1983 e 1985 encarrega-se da elaboração dos aditamentos e correções da segunda edição da obra de F. A. Pereira da Costa, Anais Pernambucanos, editada por Leonardo Dantas Silva dentro da Coleção Pernambucana, segunda fase, sob o patrocínio do Governo do Estado de Pernambuco - FUNDARPE. Em 8 de maio de 1984 recebe a Medalha do Mérito dos Guararapes, concedida pelo Governo de Pernambuco e em 18 de dezembro de 1985, a do Mérito do Capibaribe da Cidade do Recife, concedida pela Prefeitura da Cidade do Recife. É eleito para a cadeira número 37 da Academia Portuguesa de História de Lisboa.
1980 a 1989
Entre 1980 e 1989 realiza viagens a Portugal e Espanha, por sua própria conta, sempre com o objetivo de realizar pesquisas documentais. Deixa catálogo minucioso dos documentos de interesse para a história do Nordeste do Brasil no arquivo da Torre do Tombo.
1987
Torna-se membro do Conselho Diretor da Fundação Gilberto Freyre.
Publica-se no Recife (Massangana) a terceira edição aumentada do seu livro Tempo dos Flamengos. Patrocinada pelo Instituto Nacional do Livro e Banco do Nordeste do Brasil.
1989
Publica seu último grande livro "Gente da Nação", fruto de pesquisas de mais de cinqüenta anos e marco no conhecimento da história da presença judaica nas Américas. Gente da Nação, seu ultimo livro, foi lançado em 1989 pela Editora Massangana da Fundação Joaquim Nabuco. No prefácio diz José Antonio: "pesquisas realizadas no Cartório da Inquisição de Lisboa no Arquivo Nacional da Torre do Tombo desde 1952, levaram-me a conhecer processos de cristãos-novos estabelecidos em Pernambuco (...) anos depois, em 1957-58, com a oportunidade de um ano de trabalho em arquivos dos Países Baixos e de outros do norte da Europa, pude consultar a documentação da Companhia das Índias Ocidentais, na qual estão incluída dezenas de manuscritos sobre o comércio do açúcar, de escravos e de gêneros diversos entre o Brasil, a África e a Europa... "
1990 a 1995
Desenvolve no Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano um trabalho de consultoria e orientação aos que se dedicam à pesquisa histórica, colaborando com revistas e apresentação de vários livros. Realiza conferências sobre temas relativos à História do Nordeste do Brasil, por ocasião das sessões do Instituto.
Como integrante do Conselho Editorial da Fundação Joaquim Nabuco, colabora como prefaciador nas Séries Abolição, República e Descobrimentos da Editora Massangana.
1996
Publica-se, no Recife (Editora Massangana, Fundaj) a segunda edição de "Gente da Nação".
1998
Publica-se Tempo de Jornal, livro formado por artigos escritos para vários fins.
2001
Sai a quarta edição do livro Tempo dos Flamengos, editado pela Topbooks do Rio de Janeiro e, nesse mesmo ano, é lançada a primeira edição, em língua holandesa, na cidade de Haia, pela Walburg Pers.
2002
Morre no Recife, no dia 07 de janeiro. Deixou vários livros, prefácios, introduções, opúsculos, contribuições em obras individuais e coletivas, contribuições em jornais e revistas, etc.
|